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Lüana Aguiar, Advogada e pesquisadora
Advogada com ênfase em análise de riscos, direito de família, contratos, propriedade intelectual, direito civil e direito previdenciário.
Sócia do Macedo Aguiar Assessoria e Consultoria Jurídica

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José Francisco Albarran
Comentário · há 10 anos
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Igor Rodrigues, Bacharel em Direito
Igor Rodrigues
Comentário · há 10 anos
O artigo é bem escrito e eivado de boas intenções. Parabéns ao articulista.

Mas existem alguns detalhes pontuais que discordo ou tenho uma outra visão sobre.

A começar por essa polarização. Na história, sempre existe polarizações. Na política, desde o surgimento da esquerda e direita, existe essa polarização. Os que fogem das posições mais extremadas tendem a ser taxados à direita ou à esquerda daquilo que são.

Dou como exemplo o sociólogo Demétrio Magnoli: ora ele é acusado de ser direitista (coxinha, elite, burguês, neoliberal, etc.), ora ele é acusado de ser esquerdista (marxista, socialista, mortadela, etc.). Isto porque ele tem uma posição política que foge do escopo das pontas da direita e da esquerda: ele é um social-democrata, nos moldes de Eduard Bernstein que é adotado pelos países nórdicos. Seria no Brasil um centro-esquerda, mas ninguém quer Magnoli possivelmente vinculado à sua posição política.

Acontece que a maior parte da população foge destes campos. Ouso dizer que a população brasileira não tem ideologia política definida, mas sim é adepta do pragmatismo: o melhor para o Brasil é quem faz o melhor para o Brasil.

Outro ponto – e aqui começa a minha discordância – é em relação ao “ódio recíproco”. Se a gente analisar somente este momento de crise econômica, política e de moral que o Brasil está passando, vamos mesmo concluir que há um ódio recíproco. Mas se formos analisar todo o contexto das duas últimas duas décadas, havendo honestidade intelectual, concluiremos que o ódio parte de um dos lados – ou seja, começa como um ódio unilateral para chegar a um ódio “recíproco”. O discurso raivoso, de acusar e ofender pessoas, de apontar como culpados uma parcela da população, de instigar as classes sociais mais baixas a se revoltar contra as mais altas, vem da esquerda – incluindo o PT. Grande parte da sociedade passou anos ouvindo que era racista, fascista, machista, opressora, culpada pela desigualdade social, sonegadora de impostos e etc., e ficou calada. As eventuais respostas não eram em massa, mas sim pontuais.

É o exemplo da alcunha “coxinha”. Um termo que foi remotamente usado pelo Primeiro Comando da Capital para se referir à Polícia Militar de São Paulo, ou seja, pejorativo, foi adotado pelo discurso petista (e membros de sua linha auxiliar) para se referir aos que não apóiam, criticam ou são opositores ao governo. Cronologicamente, veio antes do termo “mortadela” – criado após a compra de manifestantes por grupos pró-PT com R$ 35 e um lanche com pão e mortadela. Tal como eu escutava “tucanalha”, “elite branca” e etc. antes do termo “petralha”. Atualmente, xingam de “golpistas” todos que apóiam o impeachment e a operação Lava Jato – e os acusados ficam com o ônus de demonstrar que não existe golpe algum. Como se observa, o ataque e o ódio surgem de um dos lados, do petismo e sua linha auxiliar, e acabam recebendo reação de igual monta depois de um tempo. Afinal, quem gosta de apanhar sem revidar?

Mas, de qualquer forma, eu acho que esses dois pólos são reduzidos. A maioria da população não coaduna com isto. Pela oposição, um grupo enorme de pessoas não tem esse ódio por petistas, mas sim pelo o que figuras petistas protagonizam ou fazem parte. Quando se vai a uma manifestação voluntária pelo impeachment de Dilma e vê Jair Bolsonaro (radical oposição ao PT) sendo vaiado, ou então Aécio, por exemplo, se observa que não há um ódio dirigido aos petistas, mas sim um ódio ao que a política tem representado atualmente.

Para finalizar, uma crítica construtiva que faço ao pessoal que estaria “de fora” sendo “racional” e sem “cegueira ideológica” (incluo aqui os “isentões”) é que tente compreender melhor as demandas populares sem esse ar de superioridade, como se os outros fossem somente fanáticos revoltados. Estamos falando de uma massa de pessoas que nunca tiveram um engajamento político-partidário, que não são instruídas com manuais e táticas de como se manifestar; de como se portar de forma coesa e regular. As atuais manifestações pró-impeachment não são como as manifestações pelo impeachment de FHC onde havia uma massa homogênea e com o mesmo discurso e fundamentos. Por isso que é mais fácil acontecer excessos com os atuais manifestantes.

Novamente, parabéns pelo artigo!

Abraços!
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